
Texto da Do Carmo
UMA MÚSICA ... ... UM SONHO ...
UMA HISTÓRIA DE AMOR
Foi uma verdadeira HISTÓRIA DE AMOR. Sonhos podem ser materializados e romanticamente vividos, tudo depende da intensidade com que se sonha.
Não foi diferente com aquela mocinha sonhadora que no mês de julho do longínquo, mas tão presente ano de 1955, inicia seu SONHO DE AMOR. Quem é ela? Que sonho de amor acalentava?
Bem, passemos á história real dessa garota de dezesseis anos, que estava passando as férias de meio de ano na casa de família amiga dos pais, no Rio de Janeiro.
A garota sonhadora e romântica, que continua igual aos setenta anos, é a Docarmo, conhecem? Pois é, foi comigo que tudo aconteceu. Um sonho que perdurou até l972, quando foi irremediavelmente interrompido pela morte.
Era l955, minha irmã e eu, resolvemos passar as férias de julho, pela segunda vez, no Rio, aqui sofríamos uma acirrada vigilância de mamãe, e lá, embora dona Filó fosse uma " generala "; contávamos com seu Athaliba, que defendia a filha, Dina e nós também, das rabugices de dona Filó.
A casa ficava na Gávea, dentro do Jóquei Clube, onde seu Athaliba trabalhava como Administrador.
Como eram movimentados nossos dias ! Flertávamos com rapazes que trabalhavam no Jóquei ou que iam treinar equitação. Pelas manhãs, praia, as tardes deliciosos passeios à cidade, mais flertes, confeitarias, flertes, depois das 18 horas, só casa e nada mais .
Em uma sexta feira notamos um alvoroço incomum. Havia chegado uma turma de dez estudantes de Veterinária da USP., em visita ao Jóquei. Ofereceram um almoço no sábado e ( para nossa alegria ), seu Athaliba e família estavam incluídos no rol dos convidados.
Dia esplendoroso, festa maravilhosa, eu como sempre...sonhei. À tardinha apresentou-se um conjunto musical e todos acompanhavam cantando e dançando. Em um determinado momento o solista do conjunto ofereceu atender pedidos. Sou tímida, atualmente supero, não ousei falar que gostaria de ouvir alguma música do cantor Dick Farney, meu ídolo. Não lembro bem como foi, mas devo ter falado alguma coisa que identificou meu desejo, mas baixinho e naturalmente não foi ouvido. Flertei e dancei a tarde toda, não me interessando porninguém, era tudo festa, glamur e alegria. A festa encerrou-se às vinte horas e tudo voltou ao normal
Depois de tanta agitação, só nos restou uns comentários e onze horas, todos na cama.
Dormíamos. Silêncio absoluto. Eis que de repente, uns violões e uma voz bem desafinada, diga-se de passagem, despertam toda a casa e a vizinhança.
Cinco rapazes tocavam e um cantava as músicas de Dick Farney - Um cantinho e você, Não tem solução, Uma loura e Sábado em Copacabana - a minha música, a que devo ter balbuciado. Corremos para a janela.
Meu coração estava para sair pela boca, uma voz destacou-se::
- Menina, qual o seu nome, eu posso amanhã conversar com você?
Dona Filó adiantando-se e respondeu :
`- Não. Amanhã é segunda feira, agora já é domingo e nós queremos dormir. A menina é menina e não está em idade de namoricos, vão embora.
- Senhora, estou apaixonado pela sua caçulinha, deixe que eu ...........
Seu Athaliba intervém para terminar com aquele constrangimento permitindo que pela manhã, às onze horas voltasse. Ele agradece e diz :meu nome é Antônio, com acento, todos se retiram e ele vai cantando -
Mas vou voltar, lá pra semaanaaa........
Cinco anos depois, diante de um altar transbordando de luzes e flores, dizíamos SIM e tornávamos marido e mulher. Esse sonho foi vivido até que a morte nos separou, depois de dezessete anos de feliz e apaixonada convivência. Hoje tenho duas testemunhas vivas desse romance, as quais se multiplicaram dando-me três maravilhosos netos que amo incondicional e intensamente. Sou feliz e bem resolvida em meus anseios e objetivos e sinto-me muito orgulhosa com as realizações vitoriosas de meus filhos.
Recordar é viver, diz o refrão popular, então eu acabo de
VIVER AS EMOÇÓES DA HISTÓRIA DE AMOR DE MINHA VIDA.
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