
Texto de Ana Maria
Era uma vez dois irmãos Jacob e Wilhelm que viviam na Alemanha nos anos de 1730. Interessados por escrever contos de fadas, contos de encantamento e contos maravilhosos criaram mulheres encantadas perseguidas por madrastas malévolas com irmãs adotivas mimadas e incapazes. Em outro momento concebiam lindas princesas que de tão boas beijavam feras que se transformavam em lindos príncipes. Terminaram quase todas as fábulas com personagens viviam felizes para sempre. Até que um dia...
Surgiu a tal Chapeuzinho vermelho. Moça ou menina ninguém sabe ao certo. Nem tampouco se sabia da existência de mãe ou pai dessa personagem, será que era órfã a infeliz?. Para falar a verdade nem ao menos se conhece o verdadeiro autor dessa fábula torcemos por seja os Irmãos Grimm. Nesse conto não havia nenhuma fada
e nem havia nenhuma bruxa 
Bem...Imagina-se que a mãe da mocinha era designer de moda e com esse conto lançou o capote com capuz que veio a ter estrondoso sucesso no mundo da moda até os dias de hoje com algumas variantes na cor.


Uns autores de causos e lendas criaram também um moleque negrinho brincalhão que usava capuz vermelho. Mas esse não era bom nem ruim, apenas arteiro.

Não percamos a nossa personagem de vista, essa pobre moça sem nome que não era princesa, nem bela, nem nada, apenas era boazinha e usava um capuz vermelho. Enfim uma personagem inútil, e o que escrever sobre ela? Teriam que inventar alguém que fizesse alguma coisa na história, pois nem a vovozinha da moça (única parente que se conhece mesmo após intensa investigação) faz algo na fábula, apenas passa o tempo todo na cama, puro ócio. Na verdade essa avó tinha sido uma vedete do teatro de revista carioca que não conseguiu nenhum papel importante e estava à porta da aposentadoria pelo INSS.

Sabia-se de fonte não fidedígna que a vó da moça era proprietária de uma elegante mansão na floresta, prêmio do jogo do bicho, onde há tempos recebia garotos de programa na calada da noite e depois da orgia nadavam pelados no lago existente atrás da casa. E para impedir a neta xereta de chegar lá de sopetão e pegar a velha no flagrante, dizia a vó para a pobre e idiota menina que a floresta era escura perigosa e cheia de feras. Mas imbuída de sua boa fé a mocinha atravessava a indolente floresta para levar os doces do Amor aos Pedaços para a vovozinha, e fazia isso todos os dias. Meu Deus, essa mulher deveria estar gorda como um cachaço! Ou prestes a morrer com altas taxas de açúcar no sangue...(Soubemos que há tempos não recebe mais os garotinhos de programa mas finge doença para receber os médicos do SUS)
Pelas investigações chegamos à conclusão de que a moça queria mesmo herdar a casa da velhinha.

Era tão determinada nessa maldade que enfrentou inúmeras vezes os animais da floresta sem nunca faltar a única visita. Uma vez deparou-se com um Lobo que todos chamam até hoje de Lobo Mau.Esse bicho seria o personagem que teria forte atuação no texto mas o roteiro mudou naquele instante. Ele era muito feio, feio pra caramba, mas tinha uma linda voz quando urrava elegante para ela, tinha corpo esbelto e peludo, a boca carnuda, os olhos flamejantes e as unhas de fazer inveja a qualquer mortal. A moça pensou: É hoje ou nunca mais. Se não me agarrar agora a esse coitado que pensa que é mau vou morrer solteirona e ingerida por um bicho papão. Comeram os docinhos da cesta, falaram da droga da vida, e amanheceram juntos na moita. Passou a chamá-lo de Lobão e assim tornou-se conhecido.
Agora faz sentido, a moça que não era encantada e nem encantadora só podia mesmo apaixonar-se por um animal sem pedigri que não se torna príncipe hora nenhuma nem depois do beijo.
E como era de se esperar, numa história dessas as personagens não podem acabar vivendo felizes para sempre... Não é mesmo?
Tenho pena dos Irmãos Grimm que tiveram que arranjar esse Lobo para a moça na ânsia de ajeitar a personagem. Talvez por essa história não merecer nenhum crédito é que eles não assinaram o texto quando o escreveram. Eu também não assinaria.
Nenhum comentário:
Postar um comentário