segunda-feira, 30 de junho de 2008

Pai, chefe ou Rei (texto refeito)




Texto da Do Carmo
PAI ? CHEFE DE FAMÍLIA OU UM REI ?
(REFEITO)


Segundo o depoimento da filha caçula, que passo a narrar, fica para vocês, leitores, o julgamento final.

Nascida em uma família de classe média no final dos anos trinta, foi criada e educada tal qual uma boneca de porcelana, uma vez que seu nascimento deu-se dezoito anos depois do casamento dos pais.

Tudo que uma garota rica da época tinha, esse homem lhe dava - tanto materiais como culturais.

Por amor à família, estudou, cresceu como profissional, construiu um mundinho de conforto e amor para a mãe, que sempre colaborou costurando, e para as duas filhas.

Conta-nos ela com emoção, qual era a tônica predominante de seu comportamento : O bom humor.

Dentre as inúmeras histórias que contou, vou rapidamente transcrever duas :

Muito glutão e apaixonado pela cozinha, uma de suas distrações caseira predileta era fazer. Doce, sendo o principal - Compota de abóbora - que era preparado com todo o requinte de higiene e cuidados. Casca bem lavada, retirada sem " machucar a carne " , cubinhos todos milimitrados , secos com uma toalha de cozinha própria, açúcar bem peneirado e.......vamos para a panela e para o fogão. Todo ritual obedecido, era só esperar o término do cozimento, que transformava os cubinhos em uma pasta bem cremosa e doçosa, como dizia, mas aí é que estava o problema; quando esse ponto chegava, a panela já estava vazia, pois a cada minuto, lá estava ele de colher e pratinho na mão, pegando umas colheradas para ver o ponto. Iniciava o cozimento com mais ou menos três quilos, e depois ao retirá-lo, havia evaporado uns dois quilos e meio. Nunca ele conseguiu explicar esse fenômeno de evaporação.

Gostava muito de tocar bandolim e cantar "cançonetas da velha terrinha ". Quando chegava do trabalho fazia companhia à esposa, conversando ou tocando e cantando, sentado ao lado de sua máquina de costura, e se ela fosse preparar o jantar, lá ia ele acomodar-se na cozinha bem perto dela.; enquanto aguardavam a chegada da filha mais velha, que estudava, ele preparava a mesa para os quatro jantarem.

Sempre teve um comportamento muito alegre, disposto para `qualquer trabalho, calmo no falar e diante de problemas, mas muito responsável com os compromissos e preocupado com o que deixar de material para a família quando se fosse; como era muito rígido e intransigente com a educação e formação cultural das filhas, não se descuidou do acompanhamento aos estudos que ambas fizeram ate o curso superior, coisa rara na época, principalmente em classe média. Orgulhava-se de sua família.

Infelizmente deixou esta vida cedo, aos 67 anos, tranqüilamente, durante o sono depois do almoço, já estava aposentado há alguns anos, brincou bastante com seus três netos. Viveu e morreu com dignidade. Foi feliz.

Sua filha ao terminar o relato, questionou-me ; -

- A que conclusão você chegou ?

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