
Texto da Do Carmo
Segundo o depoimento da filha caçula, que passo a narrar, fica para vocês, leitores, o julgamento final.
Nascida em uma família de classe média no final dos anos trinta, foi criada e educada tal qual uma boneca de porcelana, uma vez que seu nascimento deu-se dezoito anos depois do casamento dos pais.
Tudo que uma garota rica da época tinha, esse homem lhe dava - bens materiais e culturais.
Por amor à família, o pai estudou, cresceu como profissional, construiu um mundinho de conforto e amor para a mãe, que sempre colaborou costurando, e para as duas filhas.
Conta-nos ela com emoção, qual era a tônica predominante de seu comportamento : O bom humor.
Dentre as inúmeras histórias que contou, vou rapidamente transcrever duas :
1 ª - Muito glutão e apaixonado pela cozinha, uma de suas distrações caseira predileta era fazer. Doce, o preferido - Compota de abóbora - que era preparado com todo o requinte de higiene e cuidados. Casca bem lavada, retirada sem " machucar a carne " , cubinhos todos milimitrados , secos com uma toalha de cozinha própria, açúcar bem peneirado e.......vamos para a panela e para o fogão. Todo ritual obedecido, era só esperar o término do cozimento, que transformava os cubinhos em uma pasta bem cremosa e doçosa, como dizia, mas aí é que estava o problema, pois quando esse ponto chegava, a panela estava vazia, pois a cada minuto, lá estava ele de colher e pratinho na mão, pegando umas colheradas para ver o ponto. Iniciava o cozimento com mais ou menos três quilos, e depois de retirá-lo, havia evaporado uns dois quilos e meio. Nunca ele conseguiu explicar esse fenômeno.
2 ª - Gostava de tocar bandolim e cantar "cançonetas da velha terrinha " ao lado da máquina de costura da esposa, quando ele chegava do trabalho, e depois continuava, sentado na cozinha a seu lado, enquanto ela preparava o janta e aguardavam a chegada da filha mais velha, que trabalhava desde dezoito anos.
Sempre teve um comportamento muito alegre, disposto `qualquer trabalho, calmo no falar e diante de problemas, mas muito responsável com os compromissos e preocupado com o que deixar de material para a família quando se fosse, porque era muito rígido e intransigente com a educação e formação cultural das filhas, ambas formadas em curso superior, coisa rara na época em sua classe social.
Sua filha ao terminar o relato, questionou-me ; -
Como você classifica meu herói ?
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