quinta-feira, 26 de junho de 2008

A cigarra e a Formiga (texto revisado)





Texto de Loraci Santana
A CIGARRA E A FORMIGA – (Uma paródia em tempos modernos)

A cigarra com garra e afinco, dedicava ao seu solitário canto. Ensaiava e sonhava com um futuro brilhante. Verão, a época lhe inspirava melodias, na poesia e em toda arte. O sol no campo brilhava, enquanto ela cantava e enchia de harmonia todo o matagal, os insetos felizes aplaudiam a generosa música, cheia de graça e de graça cantada. A cada dia que passava, ela mais bonita se tornava, com a longa saia transparente, os olhos grandes e buliçosos contemplavam toda a beleza da paisagem. Estudava o canto lírico e se inspirava no popular para todos agradar.

Rasteira e matreira a formiga trabalhava, acumulava fartura para época do inverno, já previa a cigarra pedindo-lhe ajuda, não ajudaria, teria o prazer em humilhá-la e ensinar-lhe que a boa vida que levava, poderia ser breve, se acabava. Orientada por uma grande tanajura, estudiosa dos grandes clássicos da economia mundial do século XIX, a chefe comandava um grande exército de trabalhadores, estabelecia turnos de doze horas, a ordem era trabalhar, produzir e acumular.

A cigarra com o passar dos dias arrumou companhia, já não era solitária. Formou-se uma banda regida pela sua batuta, astuta a artista não dava na vista o seu talento para a arte, passou a ser contratada para apresentações em outras freguesias, sempre ao entardecer, pois a noite foi feita para o descanso. Não ganhava nenhuma fortuna, também nunca teve esse tipo de ambição, a sobrevivência e o aperfeiçoamento era suficiente para a realização dela e do grupo que a acompanhava, alegrava festas e casamentos, a fama corria solta, porém dinheiro nunca via, cantava pela alegria dos outros alegrar. A formiga no comando não aceitava desmando e esmerava na produção e as leis do capitalismo eram seguidas à risca, a grande mentora leitora de Maquiavel, sabia como comandar.

Vésperas do inverno, seria o inferno para os insetos cantores e trabalhadores; em suas apresentações a cigarra e o seu bando sempre alguma coisa ganhavam, precisavam sobreviver, que fosse ninharia, ela agradecia e mais alto e forte cantavam. A formiga irritada comandava o operariado, até que alguém entre elas alardeou: a vida não era feita só de trabalho, precisavam de lazer e diversão, fizeram uma reunião, a força do coletivo venceu, um sindicato foi criado para defender os interesses da classe trabalhadora; os turnos foram diminuídos e logo estabelecidos momentos para o lazer.

A cigarra e sua banda voltavam de uma excursão a um país vizinho, estava chegando o fim do verão. Deram um grande concerto, a cigarra chefe surpresa percebeu a enorme multidão que aglomerava em sua festa de boas vindas, o formigueiro inteiro dançava, as formigas exibiam suas formas arredondadas bem à brasileira e gingavam como se fossem exímias bailarinas, procurou a tanajura mentora do grupo, as duas se abraçaram, a formiga elogiava as vestes e o talento da cigarra chefe e essa retribuía os elogios olhando-a em trajes mínimos e insinuando sobre o seu avantajado traseiro, chamando-lhe a atenção para o número de formigões que deitavam-lhe olhares maliciosos e cheios de desejos eróticos. Riram abraçadas, mais tarde embriagadas comemoravam a nova fase das suas vidas.
Loracy

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