(A Bia me escreveu dizendo que ainda falaria comigo sobre possíveis cortes no texto Olhar Fatal. Antes, passei a tesoura!)
Olhar fatal ( com cortes)
Era um sábado à tardinha quando num bar a família Lima reuniu-se numa mesa para comemorar o aniversário do menor. À porta surgiu Miro Silva com panca de galã e engolindo a mãe com olhos de vaqueiro. Ela desandou a ajeitar o cabelo da mais velha e fez o que pode para desatinar de pensamento ruim.
Miro caminhou atrevido em direção à mesa da família e pediu fósforo. A mãe enfiou a mão na bolsa magra e de lá saiu com olhos culpados em direção ao rapaz.
O chefe da família percebeu a ousadia do moço e levantou-se devagar. Miro ali permaneceu mais alguns segundos e ainda ensaiou perguntar quem fazia aniversário. O pai puxou o rapaz pelo colarinho encarando o moço com ódio. Miro riu abusado da ameaça do homem e não se moveu. A ofensa cresceu para o rei daquela família que a tudo assistia. Ele então puxou a peixeira da cinta e num gesto rápido e forte golpeou o rapaz na barriga. Miro arqueou derrubando a mesa do bolo, mas ainda mantinha o riso sarcástico nos lábios. O chefe da família suava frio tremendo até os ossos quando Miro sacou a garrucha e disparou dois tiros certeiros na cabeça do rei Lima.
Um grito de mulher tomou conta do ambiente, e depois o silêncio.

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