
Texto de Gabriela Araujo
Algumas vezes as lágrimas caem sobre o tecido, quase sempre pálido, deixando vestígios de um sentimento imenso que transborda do interior, desliza salgado pelo rosto e encontra repouso nesse guardador de lamentos, segredos e confissões. Em outras ocasiões a alegria é tamanha que explode e ele alcança o limite. Sua felicidade, porém é instantânea. Logo volta para a posição de observador e o lá fica, outra vez, distante. Nele o inconsciente vira consciente. É capaz de satisfazer as vontades e os desejos mais secretos e obscuros. Não adianta omitir, pois ele conhece a verdade e os mínimos detalhes de momentos mais íntimos e particulares.
Serve de amparo para crianças saudosas, amantes abandonados e adolescentes sonhadores, mas serve também como ferramenta útil para uma guerra sem estratégias e vencedores. Ele oferece a base para o surgimento das mais brilhantes e inusitadas idéias que revolucionam épocas, mas oferece descanso para mentes sujas, sanguinárias e violentas.
Os macios e volumosos são a preferência, mas há quem goste dos mirrados e estreitos. Sempre envolvidos com algum tipo de algodão, exalam o cheiro inconfundível e particular de sua eterna e fiel companheira, a cabeça.
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