terça-feira, 19 de agosto de 2008

Vou casar! - Maria do Carmo



VOU CASAR... CONTO A VERDADE?


Quanta angústia, o que fazer. Dizer toda a verdade ou continuar em silêncio e deixar acontecer o inevitável. Não estarei sendo covarde? Penso que sou ainda mais, pois uma pessoa sóbria e de caráter não ocultaria nada, por pior que fosse a revelação.

Verdade, sempre a verdade.

Mas que dilema, fico sentindo vertigens ao imaginar-me contando o meu defeito para o grande amor de minha vida. Crueldade, esperar até dias antes do casamento, muita falta de respeito. Ái! Preciso de iluminação...

Um MILAGRE!

Com efeito, um milagre poderá salvar-me e como estamos no final do ano, tenho certeza: a prece será ouvida; lembro-me de uma oração que realiza desejos na noite de Natal, vou fazê-la mesmo sabendo que o milagre de Natal é negado por jovens.

O mais intrigante neste comportamento é que coisas mais graves e feias eu não ocultei, esclareci no dia do nosso conhecimento. Agora, qual a razão de eu julgar tão traumatizante essa frustração secreta, depois de ter contado, por exemplo, que tenho uma perna mecânica?

Quanta dúvida! Estou em pânico! Preciso dar solução ao drama.

Devo fugir manquitolando com a perna mecânica ou corajosamente enfrento a situação:

escancaro a boca e sem pudor algum mostro meu dente canino implantado.

Ufa! Ponto final.

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