
A Do Carmo trabalhou esse texto aparando-lhe as arestas. Veja o antes e depois:
Entre amigas
Amiga, estou muito preocupada com a Verinha. Como essa maluquinha irá contar para a mãe que está grávida?
Certa vez comentei:” quando estiver namorando pra valer pedirei à mamãe para ir ao ginecologista, assim evitarei dissabores “. Dona Alice quase teve um ataque, disse que sou “ muito avançada para a minha idade “; ela sufoca a filha, nunca têm diálogos, .não é sua amiga, tão pouco lhe dá conselhos reais e agora pobrezinha, cadê o bonitão? Ela sequer sabe o nome correto do cafajeste. O pior será a reação de dona Alice, ou irá surrar a filha ou mandá-la para o interior ou pior, interná-la no colégio onde viveu depois de órfã.
Mamãe quer conversar com dona Alice, embora seja julgada de “muito liberal“.
Verinha teme seu gênio impetuoso; retrógrada e fechada como é não parece ter estudado tanto. É pessoa esclarecida e trabalha desde antes da filha nascer, continua trabalhando, precisa custear o excelente estudo da Vera (por que será que nunca falam do pai?). A vida nada lhe ensinou com tantos reveses? Ela vegeta na época medieval, seu comportamento é medíocre com tanta repressão e austeridade. Adiantou? Veja o que resultou: gravidez e abandono do rapaz. O que me diz?
Verinha está sofrendo, sente-se angustiada, precisa conversar francamente com a mãe, sentir seu apoio e carinho. Terá? O que mais a aflige é o sofrimento e decepção que causará à mãe.
É muito bom termos as melhores mães do mundo, não é?
Bem garota, chega de falar. Como sempre falei demais, já uma hora, minha bela orelhinha está ardendo. Liga-me mais tarde? Vamos rezar em sintonia pela nossa amiguinha, aquela querida maluquinha.
Beijinhos, beijinhos e inté...
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O texto era originalmente assim:
Amiga, estou muito preocupada com a Verinha. Como a maluquinha irá contar para a mãe que está grávida?
Certa vez comentei na casa dela, que quando estiver namorando pra valer mesmo, vou pedir que minha mãe me leve ao ginecologista, para que eu possa tomar um anticoncepcional e com segurança evitar dissabores. Dona Alice quase teve um ataque, ela acha que não sou boa companhia para a filha, diz que sou “ muito avançada para a minha idade ”; ela sufoca a pobre filha, nunca têm diálogos, são inibidas para conversar sobre sexo, ou como prevenir-se para evitar uma gravidez fora de hora
.Não é amiga da filha, mantém distância alegando respeito. Esse comportamento deixou Verinha vulnerável e nas primeiras palavras doces entregou-se de corpo e alma.
Cadê o bonitão? Ela não sabe, sequer o nome correto do cafajeste.
O que mais me assusta é a reação de dona Alice, que é bem capaz de surrar a filha e manda-la para o interior morar com algum parente que não conhece ou pior, interna-la no colégio onde ela viveu depois que a mãe morreu.
Sabe amiga, a minha mãe quer conversar com dona Alice, mas Verinha teme o gênio impetuoso da mãe; ela é demais austera, tudo é feio, imoral e pecaminoso. Ela é tão retrógrada e fechada que não parece ter cursado uma faculdade renomada. Ela é pessoa esclarecida e trabalhou quando solteira em empresas de grande porte, casou-se teve essa filha, ainda trabalha, ( por que será que nunca falam do pai? ) para poder oferecer excelente estudo para ela, enfrenta batalhas diariamente, será que a vida nada lhe ensinou com tantos reveses? Nada aprendeu com o tumulto do cotidiano? Não tirou proveito algum das lições que, gratuitamente, a vida oferece. Ela vegeta na época medieval, seu comportamento é medíocre, tanta repressão e austeridade, veja no que resultou: gravidez e abandono do rapaz.
Qual a sua opinião quanto a minha mãe ir conversar com dona Alice, mesmo sabendo que ela acha minha mãe. “ muito liberal para o seu gosto ".
Com muita delicadeza inicia a conversa falando sobre a juventude e com sutileza ela comenta, como se tudo estivesse esclarecido entre mãe e filha, sobre o enxovalzinho do bebê. Será bom? Vale a pena tentar? Ou irá piorar.
Verinha está sofrendo, sente-se angustiada, sufocada, precisa desabafar-se, .confidenciar-se com a mãe, sentir apoio e carinho, Ela sofre mais com a distância que a mãe impõem, do que com o abandono e as complicações e preconceitos que irá enfrentar como mãe solteira. Sabe que o futuro será de lutas homéricas para manter a criança junto dela; o erro não é do bebê e ele não merece castigo, ela assume a culpa do deslize, ambos necessitam de muito amor e carinho, coisa que somente mãe sabe dar.
O que mais a aflige é o sofrimento e decepção que causará à mãe.
Ela não está sofrendo por ter de abdicar tudo ou quase tudo que a juventude proporciona, sabe que agora o filho é prioridade. Todo o tempo que seria para seu lazer, será dividido com a criança. Mas será que hoje ela tem lazer? Não, não tem.
A mãe sempre encontra alguma coisa para fazer junto com ela, exatamente no dia em que acontece uma festa, por exemplo.
Que bom que nossas mães não são DONAS ALICES. Felizmente temos as melhores mães do mundo. São nossas amigas, ouvem e conversam conosco, estão sempre participando de nossos problemas, por mais fútil que sejam, importam-se com tudo o que nos diz respeito,
Ai amiga, que pena tenho das duas!
Bem garota, chega de falar. Como sempre falei demais, estamos há uma hora ao telefone, minha bela orelhinha está ardendo. Liga mais tarde? Vamos rezar em sintonia pela nossa amiguinha maluquinha.
Beijinhos, beijinhos e até. .........
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