terça-feira, 19 de agosto de 2008

(texto seco) Reza braba (revisado) - Ana Maria



Soco forte no queixo. Tonteou prum lado, e lá vinha outro murro de punho fechado. Tonteou de novo. Caiu o pobre. O rosto inchou na hora. A boca floreou. O sangue verteu. As pernas trogloditaram pela estrada seca em desesperada fuga. O homem tinha medo da surra, mas não podia evitá-la. Apenas pedia “PelamordeDeus pára cum isso”. Já vai pra lá mês que apanha quando passa pela trilha, coitelinho. Apanha por apanhar...

O amor que morava no coração dele, rareou. Chegou a raiva. Muita raiva dos Nereu.

No espelho de casa viu os olhos avolumando. Pensou nos Nereu. A cara arredondava pra caber os olhos crescidos. Incharam, cresceram de dar medo. Duas bolas acesas na cara redonda do infeliz. Pensou na raiva. Chamou a mulher aos berros. Assustada, benzeu-se e entoou uma reza em voz alta. Era o coisa ruim! - disse ela. Ele rezou também. De nada adiantou. Suas orelhas se movimentavam sem querer, à olhos vistos. Incharam e cresceram, cresceram de dar medo. As duas orelhas ficaram enormes, maiores que a cara. A mulher grita. Ele espuma de raiva. Ela reza fazendo o sinal da cruz. De nada adianta...

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