quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Delírio - Aglaé Torres



Frase nº 2: “A novidade é que na noite de núpcias ele fugiu furtando a perna mecânica...”


DELÍRIO

Na noite que antecedeu o enlace matrimonial, o Sonho!

Ele se viu fazendo amor com a noiva-perna mecânica. Ela infiltrava-se por entre as pernas, descia pelo pescoço. O pé-mão alisando-lhe por inteiro.

Acordou trêmulo. Suor frio. Qual o significado do pesadelo? Consultava a memória tentando descobrir.

A Perna rebelou-se sendo deixada de lado, observando-os amarem-se sôfregos. Ele nem se importava com a retirada dela, mero objeto descartável. Mal sabia! O ciúme fervendo a fogo lento tramou a vingança: tornar-se desejável. Captar atenção.
Dominar.

Noite de núpcias. A noiva em retirada embelezava-se. A perna mecânica, na porta, encostada. Emitindo cintilações. Ele rememorou a noite anterior. O susto, motivo da fuga e do “seqüestro obrigatório” da amante de metal.

Ele despenca na noite conivente carregando a dominadora.

A noiva impossibilitada de segui-los. Seus gritos soluçantes acordaram o Motel Cinco Estrelas:

- Que jeito estranho de fazer amor!

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