quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Diálogos diversos - Ana Maria


Diálogos diversos

Em São Paulo

De longe vi o carro dele estacionando de novo em frente a minha garagem. Parei pensando em fuzilar a família inteirinha:


- Olá, boa noooooite!


- Oi. Já vou tirar, só vou abrir meu portão.


- Ah, ta bom.


Um farol apressado atrás de mim pedia passagem:


- Vou dar uma voltinha no quarteirão e já volto.


- Ah, desculpe hein!


Cinco minutos depois:


- Ué, não abriu o portão?


- Alguma coisa errada na fechadura. Mas vou puxar o carro pra trás. Péra aí.


Outro farol gritava, sai da frente!


- Já volto aí.


Cinco minutos mais tarde:


- O que houve ?


- Perdemos a chave do carro.


- Vou buscar um chaveiro e já volto.


- Ah, obrigado. Desculpe hein.





A mesma cena no Rio de Janeiro.


Aí, aquele vizinho folgado tá abusando.


- Aí, mermão preciso entrar na garagem.


- Peraí, peraí, já to saindo.


- Legal.


Outro carro encostou atrás de mim e mandou um farol pra eu liberar a rua:


- Aí ó, vou só vou dar uma voltinha e to voltando.


- Ah tá, desculpa aí cara!


Uns cinco minutos mais tarde:


- E aí, o que rolou?


- É mermão, a fechadura quebrou.


Mais um carro na minha trazeira parecia gritar sai da freeeente!


- Já volto aí.


Mais tarde:


- E aí, nada?


- Perdi a chave do carro, cara.


- Vou chamar o bombeiro.


- Valeu!





A mesma cena em Minas Gerais.


De longe eu enxerguei o carro do vizinho encostando no meu portão.


- Uai compadre chegamos juntinho. Preciso entrar em casa.


- Oi compadre. Dá uma esperinha que abro meu portão e tiro o carro daí pra você entrar.


- Claro.


Mas não é que nesse momento apareceu um automóvel atrás do meu e pediu passagem piscando o farol alto?


- Óia, vô até ali e já volto.


- Vixe, me desculpa compadre. Tô atrapalhando.


Depois de um tempinho:


- Uai, compadre não abriu o portão ainda?


- Inguiçou esse trem aqui. A chave nem vira. Mas vou tirar o carro pra você entrar.


Nisso outro carro aponta a luz e pede para eu sair da frente:


- Já volto compadre.


Depois de mais alguns minutos:


- Nada ainda? O que foi?


- Desapareceu a chave do automóvel!


- Vixe que escangalhareira. Vou buscar o chaveiro.


- Não queria te dar esse trabalho, mas vou agradecer sua ajuda.





A mesma cena num cenário bem caipira.


Táva numa lonjura e vi a carroça do cumpadi chegada na minha porta.


- Ei cumpadi cheguei, dá prá levar sua égua mais pra diante.


- Craro qui dá, sô! Tô aqui abrindo a portêra e já levo minha Piroca pra dentro.


- Mas anda ligeiro qui aqui não posso ficá. Vou atrapalhá os passante.


Falei e chegou um pião brabo atrás da minha carrocinha. Resolvi saí pra não criá increnca.


- Vai ajeitando aí qui eu vô vortá.


- Úia qui safadeza minha, cumpadi. Vai mi discurpá de pará na sua entrada.


Dispois:


- Mas cumpadi a tramela inguiçô?


- Deve di sê. Essa tranca num tá levantando. Mas eu vô dá uma puxadinha na Piroca e o cumpadi entra forgado.


Mais aí outro jagunço istancô atrás da mim.


- Priciso disocupá. Já vorto.


Mais tarde um pouquinho:


- Virge Maria, o que tá acontecendo, o cumpadi não tirou a Piroca ainda?


- Ô, num to incontrando um jeito. Esse bicho impacô. Me discurpe.


- Vô na cidade buscá uns cabra pra ajudá.


- Qui bom assim a gente põe a Piroca pra dentro, na marra.





Desculpe, foi engano.

(diálogo entre três pessoas)


- Alô? Alô Isabel, você está me ouvindo? Esses telefones andam uma merda!


- Alô Zinho. Pode falar que eu estou ouvindo bem, querido.


- Ôi amorico, o que aconteceu com você, mulher? Olha que pra você faltar num encontro nosso, só por Deus mesmo!


- Tive dor de dente semana inteirinha. Tentei te avisar, mas só sua mulher atende o celular. Pô, dá um pra ela, assim ela larga o seu telefone.


- Mas você conhece meus horários, Bela. Devia ter ligado quando eu estou sozinha. Ela tem aula de pintura depois das sete, você sabe disso.


- E que horas acha que liguei? Pode ver na memória do seu celular deve ter umas sete ligações minha lá.


-Ih, mas o que você disse pra ela? Ela desconfiou de alguma coisa?


- Que nada, eu perguntei pela Terezinha. Disfarcei bem.


- Hahaha, você é especial, meu amor. Mas e o seu dentinho já sarou, já?


- Às vezes dói um pouco aí ponho algodãozinho com remedinho. Amanhã vou num dentista lá na Freguesia. Já marquei às 3 horas da tarde.


- Ô pombinha amanhã a gente não ia se ver? Vai deixar seu gatinho na espera de novo, vai?
- Se quiser ir junto pode ir. Você vai poder ir comigo?


- Ah não, não posso sair mais cedo do trabalho amanhã. Mas,
(toom, toom, toom, toom) tem gente na linha dois, pêra aí xuxuzinho.


- Alô?


- Ô homem, tô ligando aí faz um tempão e você não atende. Onde você estava?


- Oi mulher, eu tava no troninho. O que foi?


- Viu que vai chover? Precisa fechar as janelas e tirar as roupas do varal. Seu uniforme de trabalho já está seco lá fora.


- Tá bom eu vou fechar tudo. Você vem logo?


- Vou demorar mais um pouquinho. Vai ajeitando a janta pra nós.


- Tá bom, querida. Até já.


-Xau, xau.


-Alô? Isabel meu amor você está aí ainda?


- Isabel! Desde quando me chamo Isabel? Quem é essa vagabunda que você chama de MEU AMOR? Velho discarado!


-Ah querida eu ... eu esqueci de apertar a tecla um (caralho!). Era uma amiga.


- Pode parar de falar seu salafrário dos quinto dos inferno, quanto mais falar mais sujo vai ficar!

(toom, toom, toom, toom) - É ela que está tentando falar com você de novo, seu sem vergonha?


- Como assim, meu amor?


- Que meu amor o quê? Você nunca me chamou assim. Tá pensando que eu sou idiota, é? Se fazendo de Miguel – há há há - Vai catar coquinho seu babaca! Nessa idade elas só querem seu dinheiro. A gente acerta isso quando eu chegar em casa. Me aguarde! Me aguarde!


- (toom, toom, toom, toom)


- ALÔ? QUEM É?


- Ô querido a linha caiu. Você não atendia minha ligação eu fiquei tentanto tentando até ouvir de novo sua voz gostosa. Onde você estava xuxuzinho?


- Fazendo uma baita cagada



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