
Diálogos diversos
Em São Paulo
De longe vi o carro dele estacionando de novo em frente a minha garagem. Parei pensando em fuzilar a família inteirinha:
De longe vi o carro dele estacionando de novo em frente a minha garagem. Parei pensando em fuzilar a família inteirinha:
- Olá, boa noooooite!
- Oi. Já vou tirar, só vou abrir meu portão.
- Ah, ta bom.
Um farol apressado atrás de mim pedia passagem:
- Vou dar uma voltinha no quarteirão e já volto.
- Ah, desculpe hein!
Cinco minutos depois:
- Ué, não abriu o portão?
- Alguma coisa errada na fechadura. Mas vou puxar o carro pra trás. Péra aí.
Outro farol gritava, sai da frente!
- Já volto aí.
Cinco minutos mais tarde:
- O que houve ?
- Perdemos a chave do carro.
- Vou buscar um chaveiro e já volto.
- Ah, obrigado. Desculpe hein.
Aí, aquele vizinho folgado tá abusando.
- Aí, mermão preciso entrar na garagem.
- Peraí, peraí, já to saindo.
- Legal.
Outro carro encostou atrás de mim e mandou um farol pra eu liberar a rua:
- Aí ó, vou só vou dar uma voltinha e to voltando.
- Ah tá, desculpa aí cara!
Uns cinco minutos mais tarde:
- E aí, o que rolou?
- É mermão, a fechadura quebrou.
Mais um carro na minha trazeira parecia gritar sai da freeeente!
- Já volto aí.
Mais tarde:
- E aí, nada?
- Perdi a chave do carro, cara.
- Vou chamar o bombeiro.
- Valeu!
A mesma cena em Minas Gerais.
De longe eu enxerguei o carro do vizinho encostando no meu portão.
- Uai compadre chegamos juntinho. Preciso entrar em casa.
- Oi compadre. Dá uma esperinha que abro meu portão e tiro o carro daí pra você entrar.
- Claro.
Mas não é que nesse momento apareceu um automóvel atrás do meu e pediu passagem piscando o farol alto?
- Óia, vô até ali e já volto.
- Vixe, me desculpa compadre. Tô atrapalhando.
Depois de um tempinho:
- Uai, compadre não abriu o portão ainda?
- Inguiçou esse trem aqui. A chave nem vira. Mas vou tirar o carro pra você entrar.
Nisso outro carro aponta a luz e pede para eu sair da frente:
- Já volto compadre.
Depois de mais alguns minutos:
- Nada ainda? O que foi?
- Desapareceu a chave do automóvel!
- Vixe que escangalhareira. Vou buscar o chaveiro.
- Não queria te dar esse trabalho, mas vou agradecer sua ajuda.
A mesma cena num cenário bem caipira.
Táva numa lonjura e vi a carroça do cumpadi chegada na minha porta.
- Ei cumpadi cheguei, dá prá levar sua égua mais pra diante.
- Craro qui dá, sô! Tô aqui abrindo a portêra e já levo minha Piroca pra dentro.
- Mas anda ligeiro qui aqui não posso ficá. Vou atrapalhá os passante.
Falei e chegou um pião brabo atrás da minha carrocinha. Resolvi saí pra não criá increnca.
- Vai ajeitando aí qui eu vô vortá.
- Úia qui safadeza minha, cumpadi. Vai mi discurpá de pará na sua entrada.
Dispois:
- Mas cumpadi a tramela inguiçô?
- Deve di sê. Essa tranca num tá levantando. Mas eu vô dá uma puxadinha na Piroca e o cumpadi entra forgado.
Mais aí outro jagunço istancô atrás da mim.
- Priciso disocupá. Já vorto.
Mais tarde um pouquinho:
- Virge Maria, o que tá acontecendo, o cumpadi não tirou a Piroca ainda?
- Ô, num to incontrando um jeito. Esse bicho impacô. Me discurpe.
- Vô na cidade buscá uns cabra pra ajudá.
- Qui bom assim a gente põe a Piroca pra dentro, na marra.
Desculpe, foi engano.
(diálogo entre três pessoas)
- Alô? Alô Isabel, você está me ouvindo? Esses telefones andam uma merda!
- Alô Zinho. Pode falar que eu estou ouvindo bem, querido.
- Ôi amorico, o que aconteceu com você, mulher? Olha que pra você faltar num encontro nosso, só por Deus mesmo!
- Tive dor de dente semana inteirinha. Tentei te avisar, mas só sua mulher atende o celular. Pô, dá um pra ela, assim ela larga o seu telefone.
- Mas você conhece meus horários, Bela. Devia ter ligado quando eu estou sozinha. Ela tem aula de pintura depois das sete, você sabe disso.
- E que horas acha que liguei? Pode ver na memória do seu celular deve ter umas sete ligações minha lá.
-Ih, mas o que você disse pra ela? Ela desconfiou de alguma coisa?
- Que nada, eu perguntei pela Terezinha. Disfarcei bem.
- Hahaha, você é especial, meu amor. Mas e o seu dentinho já sarou, já?
- Às vezes dói um pouco aí ponho algodãozinho com remedinho. Amanhã vou num dentista lá na Freguesia. Já marquei às 3 horas da tarde.
- Ô pombinha amanhã a gente não ia se ver? Vai deixar seu gatinho na espera de novo, vai?
- Se quiser ir junto pode ir. Você vai poder ir comigo?
- Ah não, não posso sair mais cedo do trabalho amanhã. Mas,
(toom, toom, toom, toom) tem gente na linha dois, pêra aí xuxuzinho.
- Alô?
- Ô homem, tô ligando aí faz um tempão e você não atende. Onde você estava?
- Oi mulher, eu tava no troninho. O que foi?
- Viu que vai chover? Precisa fechar as janelas e tirar as roupas do varal. Seu uniforme de trabalho já está seco lá fora.
- Tá bom eu vou fechar tudo. Você vem logo?
- Vou demorar mais um pouquinho. Vai ajeitando a janta pra nós.
- Tá bom, querida. Até já.
-Xau, xau.
-Alô? Isabel meu amor você está aí ainda?
- Isabel! Desde quando me chamo Isabel? Quem é essa vagabunda que você chama de MEU AMOR? Velho discarado!
-Ah querida eu ... eu esqueci de apertar a tecla um (caralho!). Era uma amiga.
- Pode parar de falar seu salafrário dos quinto dos inferno, quanto mais falar mais sujo vai ficar!
(toom, toom, toom, toom) - É ela que está tentando falar com você de novo, seu sem vergonha?
- Como assim, meu amor?
- Que meu amor o quê? Você nunca me chamou assim. Tá pensando que eu sou idiota, é? Se fazendo de Miguel – há há há - Vai catar coquinho seu babaca! Nessa idade elas só querem seu dinheiro. A gente acerta isso quando eu chegar em casa. Me aguarde! Me aguarde!
- (toom, toom, toom, toom)
- ALÔ? QUEM É?
- Ô querido a linha caiu. Você não atendia minha ligação eu fiquei tentanto tentando até ouvir de novo sua voz gostosa. Onde você estava xuxuzinho?
- Fazendo uma baita cagada





