quarta-feira, 28 de maio de 2008

Desdobramento: - O telefonema




Texto de Gabriela Araujo



Desdobramento da palavra Telefonema


Telefonema
Tele
Fonema
Ele
Fone
Ema
On

O primeiro beijo, a primeira viagem para fora do país, ou sei lá, o primeiro namorado, a gente nunca esquece. Confesso que eu nunca esqueci da minha primeira matéria jornalística.

Trabalhava no jornal da facu e, assim que cheguei, recebi a pauta. Uma matéria complicada. Tinha que escrever sobre a mudança do vocabulário provocada pela era digital. Não sabia por onde começar.


Desacostumada com a rapidez dentro das redações, enquanto aguardava por uma inspiração divina, desviei minha atenção para os alunos que produziam os textos do telejornal. Eles se divertiam, escriviam matérias interessantes, pensavam e debatiam, enquanto eu não conseguia escrever uma frase sequer. Naquele instante pensava em uma súbita transferência para a redação de "tele", quando recebi um telefonema:


"Seu deadline termina às 18 horas. Não se atrase. Precisamos mandar o jornal para a impressão. Só falta a sua matéria". Disse o editor.


Pronto, meu mundo desabou. Tinha somente uma hora para escrever a matéria e não havia feito nenhuma entrevista. Desliguei o "fone", aparetei o "on" do gravador e fui para a rua.


Conversei com crianças, jovens e idosos, cada um com uma opinião diferente sobre o assunto. os mais novos reclamavam da gramática. " Por exemplo, helicóptero tem o h antes, tá ligada? Mas, deveria ser escrito igual "ema", afinal, esse tal de h só serve para complicar, sacô?". Reclamou um garoto. As crianças explicavam as novas gírias surgidas, que facilitavam na hora da digitação das palavras, já os mais velhos se queixavam da falta de vocabulário e da pronúncia do "fonema" de determinadas palavras que foi " estranhamente abdusida".


Voltei para a redação, conversei com um especialista em lingística pelo telefone e, quando faltava somente cinco minutos para o prazo final, digitei a última palavra e enviei a matéria para o editor.


No dia seguinte, na primeira página do jornal, lá estava ela. O melhor de tudo foi ler o meu nome escrito no final da matéria. Aquele dia me senti, pela primera vez, uma repórter. Inesquecível!

2 comentários:

OFICINA DOS CRIADORES DE TEXTOS disse...

A Gabriela faz uso de um clima tenso que ela desenha com parágrafos bem montados, e resolve tudo de maneira autêntica.

OFICINA DOS CRIADORES DE TEXTOS disse...

Oi Gabi,

interessante a narração, fiquei curiosa para saber como aquela história terminaria e o final me surpreendeu. Mas talvez pudesse ser mais trabalhada na minha humilde opinião. Ela chegou com alguns typos (erros de digitação) e tb tem algumas repetições....
Parabéns!
Bia