sexta-feira, 30 de maio de 2008
SEGUNDO ENCONTRO - Descrição de pessoas e objetos / Adjetivos incomuns

Neste encontro nos demos à leitura de trecho do "Livro de Aprendizem ou Livro dos Prazeres" de Clarice Lispector onde de uma maneira esplêndida a autora descreve as imagens e sensações de feira livre.
Citamos o arquiteto Paulo Casé e sua descrição do Elevador.
Citamos a fantástica descrição da personagem D. Isabel cuja é feita pelo escritor Aluísio de Azevedo no Cortiço.
E a magnífica descrição de Quaresma, que faz o escritor Lima Barreto em Triste fim de Policarpo Quaresma.
Lição de casa de 28 de maio
Exemplo de descrição : O Cortiço - Aluíso de Azevedo - Cap III

Intervalo de aula - Fernando Pessoa
Definição de Paulo Casé - O elevador

Paulo Casé - Arquiteto
Lugar do encontro social compulsório e da fala sem assunto.
Cubículo fechado que induz pessoas estranhas ao desconforto de uma íntima proximidade. Caixote mecânico que por vezes obriga vizinhos hostis ao convívio de segundos que consomem séculos.
Compartimento claustrofóbico que transporta gente num silêncio sempre cortado pela infalível observação: está fazendo calor, né?
Descrição: Triste fim de Policarpo Quaresma - Lima Barreto
Chega de saudade

CHEGA DE SAUDADE
BELABILU
Ora, ora, ora, estou no extremo de minha paciência, não agüento mais essa ansiedade, esse meu mau humor . Até quando irei sofrer essa ausência tão concreta que me faz sentir um tufão de arrependimento?
Eu vivia tão tranqüilo, minha vida fluía linear, mas alegre e eu estava sempre pronto para um giro com os amigos. Mas por que eu fui tão radical e agressivo se o objetivo era uma simples brincadeira?
Agora não adianta lamentações, devo arcar com meus erros. Ah! que saudade!
Tarde de primavera morna, calçadas coloridas de gente feliz que saboreiam o ocaso displicente, andando sem destino certo..
Eu aqui, curtindo a solidão da multidão, buscando algo no vazio, sem saber o que fazer.
Será que é saudável sentir tanta amargura? Pensando bem, em devo estar ficando maluco, sofrer esse tempo todo sentindo o frio amargo do abandono, a carência do sabor quente do desejo, por tão fútil motivo? Chega de saudade, não quero mais esse negócio de você longe de mim, vou acabar com isso agora, já é tempo de voltar à vida alegre e despreocupada de meses passados. Vou reunir a rapaziada, vou entregar os pontos; estou quebrando minha insana aposta, e juntos vamos nos embriagar no delírio de muitos voluptuosos sorvetes.
quarta-feira, 28 de maio de 2008
Desdobramento: - O telefonema

Fonema
Fone
O primeiro beijo, a primeira viagem para fora do país, ou sei lá, o primeiro namorado, a gente nunca esquece. Confesso que eu nunca esqueci da minha primeira matéria jornalística.
Trabalhava no jornal da facu e, assim que cheguei, recebi a pauta. Uma matéria complicada. Tinha que escrever sobre a mudança do vocabulário provocada pela era digital. Não sabia por onde começar.
Desacostumada com a rapidez dentro das redações, enquanto aguardava por uma inspiração divina, desviei minha atenção para os alunos que produziam os textos do telejornal. Eles se divertiam, escriviam matérias interessantes, pensavam e debatiam, enquanto eu não conseguia escrever uma frase sequer. Naquele instante pensava em uma súbita transferência para a redação de "tele", quando recebi um telefonema:
"Seu deadline termina às 18 horas. Não se atrase. Precisamos mandar o jornal para a impressão. Só falta a sua matéria". Disse o editor.
Pronto, meu mundo desabou. Tinha somente uma hora para escrever a matéria e não havia feito nenhuma entrevista. Desliguei o "fone", aparetei o "on" do gravador e fui para a rua.
Conversei com crianças, jovens e idosos, cada um com uma opinião diferente sobre o assunto. os mais novos reclamavam da gramática. " Por exemplo, helicóptero tem o h antes, tá ligada? Mas, deveria ser escrito igual "ema", afinal, esse tal de h só serve para complicar, sacô?". Reclamou um garoto. As crianças explicavam as novas gírias surgidas, que facilitavam na hora da digitação das palavras, já os mais velhos se queixavam da falta de vocabulário e da pronúncia do "fonema" de determinadas palavras que foi " estranhamente abdusida".
Voltei para a redação, conversei com um especialista em lingística pelo telefone e, quando faltava somente cinco minutos para o prazo final, digitei a última palavra e enviei a matéria para o editor.
No dia seguinte, na primeira página do jornal, lá estava ela. O melhor de tudo foi ler o meu nome escrito no final da matéria. Aquele dia me senti, pela primera vez, uma repórter. Inesquecível!
terça-feira, 27 de maio de 2008
A frase duvidosa

O papel. As marcas das dobras e redobras, aberto sobre a mesa nua. No papel amarelado a frase: “Não quero mais esse negócio de você longe de mim”. Há um mês ele fora embora, depois de uma noite que havia sido a mais bela da minha vida. Aquele amor ardente, de tão inflamável evaporou-se, eu ouvi as mais duras palavras que uma mulher pode ouvir e suportar. Chorei apenas, não havia nada para responder, tampouco para entender. Há cinco anos estávamos juntos, não éramos casados, mas nem por isso eu merecia ser chamada de puta, mesmo porque eu não o era. Havia um acordo entre nós que se eu porventura com outro transasse, por amor ou necessidade, que não escondesse, não seria prostituição, jamais lhe esconderia qualquer sentimento sentido, por outro que não fosse meu marido. Ele me conheceu assim, liberada, justa em nunca trair. Só se trai às escondidas e isso nunca havia se dado. Por quê chamara-me de puta? Só pelo gosto de magoar-me, queria por certo que eu o odiasse, que não sofresse. Será?
Nunca fizemos juras de amor, mas quando estávamos juntos nos doávamos, inteiramente de corpo e alma, era relação calma, cheia de suavidade, sem promessas. Talvez precisasse prometer: fidelidade absoluta e o até que a morte nos separe, mas reparem, ele era contra qualquer tipo de convenção, sagrada ou social, eu me julgava igual. Quando chegava de suas longas viagens, ali misturados à bagagem nos amávamos pra valer. Nunca fizemos juras loucas, mas o carinho e a atenção eram de coração, sem falsidade. Felicidade, se existe era por nós vivida, sentida e transformada em horas de alucinação. Íamos às nuvens e conhecíamos o Paraíso nos momentos que para nós eram sagrados.
Amanheceu e ele partiu; levou a metade do meu coração, que muito demorou para eu resgatar, para me tornar inteira, disse sem vacilar que era para sempre, não suportava a prisão. Preso? Em gaiola de ouro, reconheceu, pediu que não houvesse choro e eu obedeci. Calado saiu, imitou um sorriso, mas não sorriu. Tinha o rosto de quem parte com fome, para provar o quê? A quem? Sempre fora tão independente, a ninguém devia satisfação, agia sempre pela razão. E agora? Superei toda a dor da brusca e ingrata separação, ele me volta a pedir reconciliação.
Não foi uma chuva de verão, algo estava enraizado em nós, havia um entrelaçamento de sentimentos, que nos prendia como se fosse uma rede enfeitiçada, e por nada a rede se rompeu, ele se desprendeu. Fiquei enredada, com a alma enlutada, sem ao menos ter do que me culpar. Agora ao chegar em casa, a muito refeita de todas as mágoas, com o coração tranquilo, sem sofrimento, com a alma leve, encontro esse pedaço de papel. Levarei a sério o que esse verso encerra? O sentido dessa frase rabiscada, tão bem acabada e com lacônicos dizeres, fará para mim algum sentido? Balançada, coração aos saltos, seguro o papel e não releio, agora só penso em dormir e descansar. Amanhã pensarei sobre isso, se houver um amanhã, é claro.
segunda-feira, 26 de maio de 2008
Enumeração - Cenas da Infância

texto de Beatriz Onofre
Eu me lembro
Do sapatinho vermelho de vernize
o vestido de tricô amarelo
da boneca do primeiro aniversário
a rua do bôbo número zero.
Do fogãozinho de plástico
na festa que faziam para mim
com as tias sempre fofocando
sobre o mundo que não tinha fim.
Da professora querida da escola
usando lápis, papel, lousa e giz
da quadrilha na festa junina
do aprender a escrever B - E - A - T - R - I - Z.
Da gritaria da família
remexendo conchinhas e estrelas do mar
na casa de praia sempre cheia
as crianças a brincar.
Da viagem longa e cansativa
E o imenso ôvo de Páscoa escondido
toda bagunça no carro
com o sorvete derretido.
Dos cabelos negros e fartos
a bolsa tiracolo de couro
o dente de leite caiu
meu primeiro brinco de ouro.
10/2005
quinta-feira, 22 de maio de 2008
Desdobramento de palavras
terça-feira, 20 de maio de 2008
Enumeração: Cenas de São Paulo

O salto agulha toc toc toc
O ancião moderninho teclando no chat
O beijo na boca no banco da praça
A moto que zuni quando ultrapassa
O zum zum zum na fila de espera
O desfile de moda na Sala São Paulo
Outro shopping que nasce a cada dia
A torcida de futebol que nos contagia
Os prédios que amanhecem altos
O pãozinho fresco da Galeria dos Pães
No Pirajá sempre tem chopinho gelado
O metrô limpinho e nunca atrasado
O tempo perdido do preso no trânsito
A massa fresca da Familia Mancini
O enorme sanduba de mortadela
Na 25 o povo que se acotovela
Ufa!
Amo assim esta metrópole
A invejável força do paulistano
E a comida bem brasileira.
Enumeração - São Paulo
Texto de Loracy Santana Minha cidade tem:
Museus, cinemas e teatros
Restaurante fino e o “Bom Prato”
Gente de fino trato
Gente pobre se sentindo gente
Catadores como atores na TV
Crimes premeditados
Senhoras de bem em passeatas
Entrevistas com psicopatas em horário nobre
Muito político sorridente surrupiando
Grande e modernos centros culturais
Carros correm em autódromo pela TV
Atropelamentos nas ruas ao vivo e a cor
Programas que além de amor, dão milhões
Entre bonitos artistas que brilham
Homens letrados discursando...
Programa de alfabetização e cotas pra negros
Universidade para quase todos e analfabetos funcionais
Donos de contas gordas na Suíça e Paraísos fiscais
Cadeias abarrotadas e bandidos nas ruas
Crimes para serem desvendados
Infanticídios duvidosos, perigosos
Atendimento a crianças e adolescentes
Inocentes poetas e vagabundos bêbados
Grande números de desempregados e de carteiras assinadas
Maior prostituição e até a infantil
A Internet toda larga, o maior PIB do Brasil
Mais celulares e celulite do que gente
Mendigos concorrendo vagas, na fila do pão dormido
Muitas adolescentes grávidas, ávidas de um lar
Pessoas loucas por ter um filho e filhos sem pais
Rios de passado caudalosos, poluídos, enfeitados
Pela maior ponte das Américas
Muita gente com depressão, também sem amor e sem tesão
E muita gente que ainda na pura ilusão
Investe e se arrisca no amor e na poesia
Ainda acredito que pode haver salvação.....
Enumeração: Infância
Texto de: Gabriela AraujoAlgodão doce, arco-íris e amigo
Bola, balão, bexiga ou bolha de sabão
Boneca, bala, bambolê, birra e bolo
Canção de ninar, cabelo para pentear e um coração
Chocolate, carrinho e caminho marcado com pão
Dado, dengo e dedo sempre chupado
Doce, dançar, desenho, dura e distração
Estudar, elefante, eca! Eco
Esquina, empinar pipa e esfregão
Fada, feitiço, figurinha, fogo
Fantasia e festa de São João
Gato, graça, gangorra
Gargalhada
Hum......
Infância!
segunda-feira, 19 de maio de 2008
Publique aqui seu site ou seu blog

Mande o link para o e-mail do blog: blogdoscriadoresdetextos@gmail.com
que em breve ele estará lincado conosco.
Livraria Nobel - Rua Cardoso de Almeida 477 em Perdizes - SP

Intervalo - Feriado prolongado de 21 de Maio.
Se forem viajar, que tenham uma boa viagem! Divirtam-se!
Mas, antes, enviem seus textos para que o grupo os leia, assim quando retornarmos os participantes já terão lido e poderão opinar sobre ele.
PRIMEIRO ENCONTRO - 14 de maio - Desdobramento de palavras

Propomos então o desdobramento de uma dessas palavras:
Previdência
Surpreendentemente
Motivação
Telefonema
Boa sorte!
PRIMEIRO ENCONTRO - 14 de Maio - Enumeração de idéias

Foi nos apresentada a poesia DESEJOS do poeta Carlos Drummond de Andrade onde ele enumera seus desejos para nós leitores (veja abaixo).
Com base nesse processo de enumeração de idéias deveremos criar nosso textos com um dos temas abaixo, onde estarão enumeradas as visões, pensamentos, cenas, desejos, situações, ou lembranças.
CENAS DE SÃO PAULO
INFÂNCIA
VELHICE
CENAS DE CASAMENTO
A VIDA
O PLANETA
Desejos
Carlos Drummond de Andrade
Desejo a vocêFruto do mato
Sábado com seu amorFilme do Carlitos
Escritores, mãos à obra!
Depois de pronto coloque seu texto aqui para que possamos lê-lo: http://criadoresdetextos.blogspot.com/ - Afinal este Blog é nosso!
Se preferir envie seu texto por e-mail para : blogdoscriadoresdetextos@gmail.com
Este BLOG é para os frequentadores das oficinas ESCRE(R)VER
Vamos arquivar aqui os textos de nossa criação.



